Um grupo de jornalistas da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo – ABRAJET, dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina (anfitriã) e Paraná, realizou, no dia 30 de janeiro, uma visita guiada ao Packing House central da Fischer, em Fraiburgo. A iniciativa integrou a programação da abertura oficial da colheita da maçã e teve como objetivo apresentar, na prática, todas as etapas do processo produtivo, do campo à expedição, reforçando a importância da cadeia produtiva da maçã para a economia regional e nacional.
Padrões internacionais de qualidade, Fischer
Reconhecida como uma das maiores produtoras de maçãs do Brasil, a Fischer foi fundada em 1985 e construiu sua trajetória baseada em elevados padrões de qualidade, segurança alimentar e tecnologia aplicada ao agronegócio. Embora opere com protocolos alinhados aos padrões europeus de qualidade, a empresa destina cerca de 95% de sua produção ao mercado interno, garantindo que o consumidor brasileiro tenha acesso a maçãs com alto nível de controle, rastreabilidade e segurança. Durante a visita, os jornalistas puderam acompanhar de perto o rigor adotado desde a colheita até o armazenamento e a classificação dos frutos, compreendendo como a empresa consegue manter maçãs com qualidade sensorial consistente ao longo de todo o ano.
A supervisora de fitossanidade da Fischer, Amanda Dremer Vieira, explicou aos visitantes que todo o processo começa ainda no pomar, com treinamento específico dos colhedores. “A colheita é feita sem a folha e com o pedúnculo, utilizando sacolas com abertura inferior para evitar impactos e danos mecânicos. Esse cuidado garante melhor conservação e mantém a fruta crocante, saborosa e visualmente atrativa”, destacou.
Atualmente, a empresa cultiva cerca de 2.400 hectares de maçãs, sendo aproximadamente 65% da variedade Gala e 35% da Fuji, com a colheita iniciando pela Gala e, na sequência, pela Fuji. Segundo Amanda, esses cuidados garantem que a fruta mantenha suas características por longos períodos. “Esse processo é fundamental para que a maçã conserve sua qualidade ao longo do ano inteiro”, completou.

Tecnologia de classificação permite até 36 combinações comerciais de maçãs
Outro ponto alto da visita foi a demonstração da tecnologia de classificação das maçãs. Equipamentos de alta precisão capturam cerca de 70 imagens por fruta em poucos segundos, analisando todos os ângulos enquanto a maçã gira sob as câmeras. O sistema separa os frutos em três categorias comerciais e, posteriormente, em até 36 combinações diferentes de qualidade e tamanho, garantindo padronização e eficiência sem interromper o fluxo da linha de produção.
Responsável pela área de pós-colheita e controle de qualidade, Marcelo Vieira conduziu os jornalistas pelas câmaras de armazenamento em atmosfera controlada e explicou como a tecnologia permite preservar a fruta por até 12 meses. “Nós não congelamos a maçã em nenhum momento. Trabalhamos sempre com temperatura entre zero e um grau, controlando também os níveis de oxigênio e gás carbônico. É como se colocássemos a fruta para dormir, reduzindo o metabolismo, mas mantendo ela viva”, explicou.
Esse controle permite que a fruta preserve sabor, crocância e aparência mesmo muitos meses após a colheita. Segundo Marcelo, o processo é essencial para garantir o abastecimento contínuo do mercado. “O nosso maior desafio é ter maçã os 365 dias do ano com qualidade semelhante à fruta recém-colhida. Quando o consumidor compra a maçã da Fischer, muitas vezes não consegue identificar se ela foi colhida ontem ou há vários meses, e isso é resultado de muito cuidado e tecnologia”, ressaltou.
Fischer investe na plantação de novos pés de maçã
A Fischer tem 40 Anos de história completados em 2025, e decidiu investir na plantação de novos pés de maçã, serão mais de 1.000 hectares plantados ao final de processo, que iniciou em 2024 e será concluído até 2028, são mais ou menos 650 milhões de reais de investimento. Então nós vamos estar crescendo, uma empresa que tem hoje 2.400 hectares, vamos plantar mais 1.000 hectares, será um crescimento enorme.
“A empresa emprega muita gente, só para dar uma ideia do volume, do negócio que é a maçã, são 2.600 safristas contratados só para a colheita, que ficam 3 a 4 meses aqui, além dos 1.200 funcionários fixos, que é o mais importante, sem eles não funciona nada aqui. É um trabalho de muito investimento, demanda muita mão de obra, mas é muito importante para a economia regional, faço questão de mencionar a família Fischer, agradecer em nome de todos nós aqui do Sul, porque a Fischer acaba ajudando a melhorar a qualidade de vida de toda nossa região, gerando emprego e renda”, finaliza Arival Pioli, Diretor Geral da Fischer.
Unidade de Fraiburgo concentra ciclo completo de processamento da Fischer
Durante a visita, os jornalistas também conheceram a dimensão industrial da empresa. A Fischer conta atualmente com quatro unidades, sendo três no Meio-Oeste catarinense e uma no Paraná. A unidade de Fraiburgo, visitada pelo grupo, é estratégica por concentrar o ciclo completo do processo, recebendo a fruta, realizando o armazenamento em atmosfera controlada, o processamento, a classificação e a expedição para o mercado.

Além da tecnologia, o grupo conheceu as rigorosas práticas de higiene, rastreabilidade e sustentabilidade adotadas pela empresa. Frutas que não atendem aos padrões para venda in natura são integralmente aproveitadas na produção de sucos, reduzindo desperdícios e ampliando o aproveitamento da safra. Os jornalistas também acompanharam os protocolos de segurança alimentar, que incluem monitoramento constante de pragas, respeito rigoroso aos intervalos de segurança entre aplicação e colheita e sistemas eletrônicos que impedem a colheita antes do tempo adequado, garantindo um produto seguro ao consumidor final.
Para o diretor adjunto da Fischer, Marcos Gonçalves, a visita dos jornalistas reforça a importância da transparência e da aproximação com a sociedade. “Receber vocês aqui na Fischer é uma oportunidade de mostrar todo o cuidado que existe por trás de cada maçã que chega à mesa do consumidor. É um trabalho que envolve pessoas, tecnologia e respeito ao meio ambiente e ao consumidor final”, afirmou.
Safra da Maçã 2026: Os impactos na economia local
Além a tecnologia e dos protocolos de qualidade, a visita mostrou a dimensão humana da colheita. Durante a safra, a Fischer passa a contar com mais de 2.600 trabalhadores temporários, profissionais que se somam aos 1200 colaboradores fixos e ajudam a transformar o ritmo de Fraiburgo, fortalecendo a economia e a circulação de serviços no município. Durante o período em que ficam na colheita, os terceirizados recebem toda a infraestrutura necessária para moradia e trabalho, impactando socialmente também.
Marcos também destacou o papel estratégico da maçã para Fraiburgo e para Santa Catarina. “A maçã faz parte da identidade da nossa região e movimenta toda uma cadeia econômica. Mostrar esse processo ajuda a valorizar não só a Fischer, mas todo o setor”, completou.
Durante a visita, Marcos e Marcelo acompanharam os jornalistas ao longo de todo o percurso pela fábrica, apresentando as etapas do processo produtivo e esclarecendo dúvidas sobre a operação, a tecnologia empregada e os cuidados adotados em cada fase, do recebimento da fruta à expedição.
Para os associados da ABRAJET, a visita técnica à Fischer reforça o papel do jornalismo de turismo na valorização das vocações regionais, da agroindústria e das experiências que conectam produção, território e identidade local. Fraiburgo, reconhecida nacionalmente como a Terra da Maçã, consolida-se não apenas como polo produtivo, mas também como destino de interesse para quem busca conhecer de perto histórias, processos e sabores que movimentam Santa Catarina e o Brasil.
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